sábado, abril 4

sabias?

Gostavas de ter o mundo? Eu gostava. A Lua já ma deram mas o mundo não. Talvez não quisesse este mundo mundano, triste e ledo. Talvez quisesse ser dona do teu mundo. Talvez. Sozinha me vejo em todos os espelhos de montras, vitrines de lojas de tudo-e-mais-alguma-coisa. Sozinha vou andando á procura da meta sem ainda ter partido. O som da pistola já ha muito foi disparado e eu, aqui, sozinha. Ando á procura de um Mundo. Daquele Mundo.

Passeio, ando, penso, vejo-me. Vou escrevendo e repensando, lendo e sonhado. Ando á procura de um Mundo, daquele Mundo. Choro por ti, pelos sem-nomes que pedem perdão, pelos conhecidos que desperdiçam o chão que muitos veneram poder pisar. Queria encontrar aquele Mundo.

Vivo sem rédias, vivo em mim sem mim. Sou e não sou, sinto e não sinto, digo e não digo. Se houvesse aquele Mundo eu seria eu. Eu seria complexa, extensa, directa e sincera. Não há desculpa para não o ser. A única plausivel és tu, Mundo. Libertaçao ou prisao? Os dois, obrigado.

''- Desculpe, que deseja?''
''- Hum? ah, um café e se possivel um cinzeiro, obrigado.''

Num conto lido há mais tempo do que pensava, lembro-me de conhecer a vida de Aurora, forte e mansa que encontra a felicidade em construir relógios. Parar o tempo, o vento deixa de soprar, as ondas de banhar, os homens de roubar, as mulheres de limpar, as crianças de chorar. E eu escrevo. O tempo não passa para mim porque há anos que procuro aquele Mundo, e não me sinto velha, não me sinto sem forças. Procurarei para sempre.

Gostava tanto de ter aquele Mundo, sabias?





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Simples humana a querer o Mundo a seus pés.

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